Idealizado por Frederico
do Valle e Rogério Lima em 1991, o Projeto Paraibuna Nossa Gente se coloca como uma forma de diálogo com as pessoas que exprimem sua visão
de mundo através da Cultura Popular. Era necessário valorizar, reafirmar a
Cultura Popular de Juiz de Fora, bem como integrá-la com outras regiões
de Minas e do Brasil. Nesses doze anos de vivência e, principalmente de aprendizado,
foram realizadas diversas ações que possibilitaram colocar em prática este
desejo. Nesses treze anos de atividade do Projeto, o desenvolvimento das ações
foi demarcado por dois períodos relatados a seguir:
- Período
1992/1998: Para
dar suporte a seus objetivos e envolver a comunidade local, foi desenvolvido
um calendário de eventos anual em Juiz de Fora, com entrada franca, nos
quais a comunidade se fez, ao mesmo tempo, agente e espectadora das tramas
sociais. Eventos como a Festa de Reis de Juiz de Fora
(janeiro) - 1992, 93, 94, 95 e 98, Festival
de Dança (maio) – 1992 e 93, Encontro de Quadrilhas
de Juiz de Fora (junho/julho) - 1992, 93, 94 e 96, Guariba
da Cultura Popular (Festival de Costumes, Dança e Canção Regional) (agosto - Mês Internacional do Folclore) - 1993, 94, 95 e 96, Noite
da Arte Negra (Canto da Raça) (novembro) - 1992, 93 e 95 fizeram parte de um calendário cultural com grande participação da comunidade.
- Parceiros:
Prefeitura Municipal de Juiz de Fora - Fundação Cultural Alfredo Ferreira
Lage e Universidade Federal de Juiz de Fora. Em 1995, o Grupo Amalé
firmou um Convênio de cooperação mútua com a Universidade Federal de
Juiz de Fora, consolidando a relação entre as duas instituições.
- A
partir de 1998: A partir de 1998, o Grupo Amalé passou ter a música e as inúmeras manifestações
culturais envolvidas com a mesma, como o principal elo de interação de seu
trabalho com a comunidade. Desta forma, a realização de espetáculos temáticos
possibilitou o aprofundamento das questões levantadas no Projeto, bem como
a gravação de Cd’s musicais materializou a pesquisa e o trabalho do Grupo
Amalé. O Grupo passou a desenvolver as ações deste Projeto através de leis
de incentivo à cultura.
- Espetáculo
“Paray-una” (1999 e 2001) em comemoração aos 25 anos do Amalé (completados em 1998).
- Gravação do Cd “Paray-una” (2000) em comemoração aos
25 anos do Amalé (completados em 1998). Aprovado pela Lei
Estadual de Incentivo à Cultura de MG e patrocinado pela CEMIG.
- Gravação do Cd “Casa Santa” (2002) em comemoração aos
30 anos do Amalé (a completar em 2003). Aprovado e financiado pela Lei
Municipal de Incentivo à Cultura Murilo Mendes.
Integrar as pessoas através da cultura significou criar novas dimensões, nas
quais a Cultura Popular se relaciona com o meio ambiente, identificando uma
outra leitura a respeito de uma educação ambiental comprometida com o respeito
ao homem e sua cultura, à água, aos bichos e à terra. O Amalé entende a cultura
como uma realidade dinâmica e considera a terra como agente inseparável do
homem, ajudando-o a exprimir a sua identidade. Assim como outros rios, o São
Francisco e o Jequitinhonha demarcam regiões culturalmente únicas, entrelaçando
sentimentos com as populações ribeirinhas. Suas águas refletem o modus
vivendi dos barranqueiros, assim como o artesanato, os cantos e as danças
das regiões que elas percorrem. O Rio Paraibuna, também concebe a história
de sua região a partir de sua nascente.
Vivenciar
a cultura do Paraibuna continua a ser o objetivo do projeto, bem como identificar
relações com as questões ambientais, aprendendo com as diversas regiões das
várias Minas Gerais.